Focus eleva o IPCA de 2026 para 5,22% e vê Selic de 13,25% no fim do ano
Mediana do mercado para o IPCA de 2026 subiu a 5,2245% no Focus, e a da Selic de dezembro caiu a 13,25%. Veja o efeito em pós, prefixados e IPCA+.
FontesBanco Central, IBGE
O Boletim Focus mais recente, com as projeções de mercado coletadas até 9 de outubro, trouxe duas mudanças que puxam em direções opostas. A mediana das expectativas para o IPCA de 2026 subiu para 5,2245%, e a mediana da Selic ao fim do ano caiu para 13,25%. Os dados são do Banco Central, que reúne as projeções de instituições financeiras e consultorias.
Convém dizer o que o Focus é: a mediana das projeções de quem responde à pesquisa, não uma previsão do Banco Central nem um resultado garantido. Foram 144 respondentes para o IPCA de 2026 e 139 para a Selic.
O que mudou no Focus
Na pesquisa anterior, com dados de 2 de outubro, a mediana do IPCA de 2026 era 5,0129%. Em 25 de setembro estava em 4,9915% e em 18 de setembro, em 4,9205%. Foram três altas seguidas, com a maior na última leitura, de cerca de 0,21 ponto percentual. Para 2027, a mediana do IPCA aparece em 4,30%.
Na Selic, a mediana para o fim de 2026 era 13,50% em 2 de outubro e passou a 13,25% em 9 de outubro. Para o fim de 2027, a mediana é 12,00%. A taxa meta atual é 13,75%, em vigor desde 17 de setembro, quando o Copom, na reunião 281, reduziu o juro dos 14,00% que vigoravam desde agosto. Se a mediana do Focus se confirmar, a Selic terminaria o ano 0,50 ponto percentual abaixo do nível de hoje.
Outras medianas da mesma leitura: câmbio de 2026 em R$ 5,1535 e crescimento do PIB de 2026 em 1,8466%.
Inflação em alta, juro em queda
O IPCA de setembro, segundo o IBGE, foi de 0,82% no mês, com 3,95% no ano e 4,58% em 12 meses. A mediana de 5,22% para o ano fica acima dos 4,58% medidos em 12 meses até setembro. O Focus não informa o motivo dessa revisão, apenas que a mediana das projeções subiu.
Com inflação esperada maior e juro nominal esperado menor, o juro real projetado diminui. É essa diferença, e não cada número isolado, que costuma orientar a precificação da renda fixa.
O que isso significa para cada tipo de título
Pós-fixados. Remuneram pela Selic ou pelo CDI (que acompanha a Selic) ao longo do período em que o dinheiro fica aplicado. Se o mercado espera Selic menor ao fim do ano, a remuneração futura desses ativos tende a ser menor do que a de hoje, embora ainda parta de um patamar alto. O valor aplicado, em geral, não oscila com as expectativas, porque a taxa se ajusta ao longo do tempo.
Prefixados. Travam a taxa no momento da compra. Quem os mantém até o vencimento recebe o combinado, qualquer que seja a Selic ou o IPCA do período. Quem vende antes recebe o preço de mercado, que se move em sentido contrário ao dos juros futuros: expectativa de juro menor tende a valorizar o título, e expectativa de juro maior, a desvalorizá-lo. A revisão de inflação para cima atua no sentido oposto, porque inflação maior costuma pressionar as taxas exigidas. O resultado depende de qual força pesa mais nos juros longos, algo que o Focus de ano fechado não mostra.
Títulos IPCA+. Pagam uma taxa real fixa mais a variação do IPCA. Uma inflação efetiva maior eleva o valor corrigido do principal, o que vale para quem segura até o vencimento. Já o preço de mercado antes do vencimento responde principalmente à taxa real exigida pelo mercado, e não à inflação projetada em si. Uma expectativa de IPCA mais alta não significa, portanto, ganho automático em marcação a mercado.
Pontos a considerar conforme o perfil
A escolha entre indexadores depende do prazo do dinheiro, da tolerância a oscilações de preço antes do vencimento e da parte do patrimônio que precisa de previsibilidade. Quem pretende manter o título até o fim reduz a importância da marcação a mercado. Quem pode precisar do recurso antes convive com ela.
As medianas do Focus mudam a cada semana: as de fim de ano para a Selic e o IPCA foram revistas em apenas sete dias.
Fontes
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